Um Diário de Bordo

Devaneios e viagens de uma criança adulta, ligada fortemente aos próprios sentimentos e emoções. Criatura das águas, nunca em águas. Toca o céu num pássaro de ferro e voa, sem asas, rumo ao seu próprio interior. Busca a si mesmo e sabe, mesmo perdido, que nunca se encontrará se não tentar, ao menos, viver!

Domingo, Junho 08, 2008

Sabado, em São Paulo

Sampa sempre tem novidades, coisas para fazer, lugares alternativos e loucos, com gente de todos os tipos, tribos e costumes. Isso me fascina. Me deixa, literalmente, boquiaberto, pela contingência desse publico que consome tudo, em todos os termos: comida, arte, musica, cinema, o que seja. Mas existe limite pra tudo. Ate mesmo para experiências que podemos ter nessa cidade louca, que eu amo tanto.

Antes, quero deixar MUITO claro que sou defensor de todo tipo de manifestação artística. Muito embora eu nao aceite todas elas, defendo o direito delas existirem e serem apreciadas por seus respectivos consumidores.

Noite passada, resolvemos, depois de muita luta, sair para dançar. Decisão não muito difícil quando estamos em 2 ou 3 pessoas, que se torna incrivelmente árdua ao juntar-se mais 4 ou 5 nesse processo. Eu, Vapes, Osack, Monarri, Kisali e Cisnor, mais Deugnir e Tiuni, levamos mais de 2 horas para decidir que iriamos, mesmo, ao primeiro lugar proposto por Monarri: Happy News.

a havia tido uma boa experiência com o lugar uns dois ou três anos antes, na ocasião do aniversario de um amigo. Então, eu já tinha referencia do local. O som me agradaria, a localização também.

Às portas do local, a primeira decepção: fila quilométrica. E, passando pela tal fila, a constatação que o publico havia mudado. Pessoas cujas companhias nao me agradariam em lugar fechado. Acho que estou ficando mais velho, mais chato, mais exigente e menos (BEM MENOS) tolerante.

Ao menos, não fui o único com tal opinião. Na verdade, Vapes iniciou os comentários, o que retira de mim parcela da culpa em me sentir superior àquelas pessoas alinhadas como para um grande evento. BLERGH. "Santa Ingenuidade, Batman", diria o Menino-Prodigio.

Rápida reunião. Pequeno "stress". Decisão tomada. Deixamos Pinheiros e nos dirigimos à Rua Augusta.

Aqui cabe mais um comentário. Não mais que 15 dias antes, eu mesmo havia dito que era inimaginável entender porque as pessoas aglomeravam-se na Augusta para fazer baladas ao lado de puteiros e casas de swing. Não por moralismo. Longe disso. Mas pela própria qualidade duvidosa dos letreiros, entradas e propagandas. "Dar um tapa na jaca" e "descabelar o palhaço" não são exatamente a minha idéia de convite inusitado para uma boa noitada. Mas são frases ouvidas nas calcadas da rua de forma simplista, pois faz parte da situação, da realidade.

Mas eu não quero julgar. Não devo. Mas não consigo deixar de fazê-lo. Aceitei com relutância. Fui. Minhas companhias eram muito mais importantes do que o próprio ambiente no qual me encontrava.

Primeira tentativa: VEGAS. Caro. Publico interessante, mas caro para o que estávamos dispostos a pagar. Seguimos tentando.

Segunda tentativa: Studio SP. Viável. Topamos. Entramos. Espaço interessante. Pessoas diferentes. Som legal... até que não mais. Uma banda começou a tocar. Se bem que eu deveria evitar a todo custo o uso do verbo "tocar" para o que aquelas pessoas agrupadas ali (chamar de banda seria elevá-los à condição de "bons") estavam fazendo.

Palavras se perdiam na boca de um cara que tentava cantar. Ainda tenho duvidas se era por ele ser ruim ou a equalização ser pior. As pessoas em seus instrumentos me lembravam João Gilberto. cada um ia pra um lado. De repente, aquele que se dizia vocalista gritava. As pessoas esmurravam e batiam em seus instrumentos. Métrica, harmonia e ritmo eram conceitos há muito por eles esquecidos, se um dia conhecidos. Nós estávamos sentados. Com a boca aberta, sem querer acreditar no que acontecia. Torcendo para que eles terminassem imediatamente a sessão de tortura e nos presenteasse com segundos de silêncio e a paz do som mecânico que nos embalava quando entramos na boite. 90 minutos depois, eles deixaram seus instrumentos. Mas a musica ruim continuou. O bando foi substituído por músicas sofríveis. E, assim, resolvemos abandonar o local e ir a uma cafeteria.

Terceira tentativa: Fran's Café. ACERTO. Mesas pequenas postas lado a lado, agrupando as 08 pessoas que queriam, apenas, se divertir. Cafés pra cá, sodas italianas pra lá, pãezinhos, broas, risos, bom papo, troca de experiências e, finalmente, a validação da nossa noite.

O Menino que Voa adverte: fuja de "Cidadão Instigado".

postado por O Menino que Voa
às 23:40
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